Refugiados dividem cultura de seus países em encontro na capital paulista

(Agência Brasil, 02/08/2015) Imigrantes e refugiados de países africanos e norte-americanos participaram neste domingo (2) de um encontro em São Paulo para mostrar um pouco de sua cultura e costumes. Organizada pelo Projeto Casa Fora do Eixo, a festa é tradicional no bairro do Cambuci, região central da capital paulista, e acontece a cada 15 dias.

Hoje, a casa recebeu bandas, grupos de teatro, exibiu um documentário e promoveu um debate sobre o cenário dos refugiados no Brasil, além de mostrar a culinária da terra natal desses imigrantes.

Um dos moradores da Casa Fora do Eixo e organizador do evento, Rafael Vilela explicou que o encontro, chamado de Cultura de Refúgio, surgiu da ideia de tentar desmistificar o grupo e diminuir o preconceito contra os refugiados. No local, vivem cerca de 30 pessoas em sistema de comunidade, que têm muito contato com os refugiados, já que no bairro há um grande número deles.

Passamos a ter um contato muito grande com eles, e a partir dessa proximidade no bairro, eles começaram a frequentar os encontros. Então, tivemos a ideia de organizar algo a partir da cultura deles com os imigrantes do bairro sendo o público da programação”.

De acordo com Rafael, esta será a primeira vez, mas a tendência é a de que o encontro se consolide em virtude do crescimento da população de refugiados. “A cultura dos imigrantes é um negócio que está crescendo com um reconhecimento a mais do que já se conhece, e que está ligado à pobreza, miséria, dificuldade. Eles têm um campo de potência narrativo que queremos trazer à tona. A ideia, além de contribuir para a unificação das culturas, é diminuir o preconceito e a intolerância que os refugiados sofrem no dia a dia, para que eles parem de ser vistos como coitados”.

O congolês refugiado e coordenador do Grists (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo), Pitchou Luambo, ressaltou que na maioria das vezes os brasileiros discriminam os refugiados sem saber ou mesmo querer, já que, quando um estrangeiros desses países chega ao Brasil, ninguém sabe como é a sua cultura.

“Esses eventos servem para aproximar as culturas, porque os dois tem que conviver, para que cada um aproveite o bom que há no outro. Quando o brasileiro conhece a cultura do refugiado, passa a enxergá-lo como ser humano e não só como um refugiado. O preconceito atrapalha muito e existe principalmente por falta de informação”.

Pitchou destacou que a questão cultural dificulta a chegada ao país, e ainda tem a burocracia, que atrapalha para conseguir uma moradia digna. A regularização dos documentos e o reconhecimento como refugiado demora até três meses. “Quando chega ao Brasil, a pessoa vai para um centro de acolhimento, demora para ser reconhecido, e não tem como acessar uma moradia. Sem saber falar o português direito, a integração fica prejudicada, e é impossível conseguir um bom emprego”.

Pitchou Luambo disse que o preconceito é difícil e fica ainda pior quando se tenta lidar com ele sozinho, já que as pessoas tendem a associar o comportamento de um refugiado a todos os outros. “Quando um refugiado sai do seu país, deixa tudo: família, amigos, profissão. Mas uma coisa que ele nunca vai deixar é sua cultura. E precisa se integrar com a cultura do país onde chegou. Para não perder a identidade, precisa ter esses encontros para compartilhar sua cultura com o povo do país onde está”.

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil
Edição:Maria Claudia
Fonte:Agência Brasil

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