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Refugiados concluem curso no Sebrae e buscam financiamento para suas futuras empresas (ACNUR – 15/08/2016)

O projeto Refugiado Empreendedor, organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em parceria com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), recebeu o apoio da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Quando Cristiano Estreeter Botero, de 39 anos, esperava o início da cerimônia de diplomação do curso “Refugiado Empreendedor”, na noite de 9 de agosto, sua preocupação já estava na etapa seguinte de qualquer pessoa que queira abrir um negócio no Brasil: onde conseguir financiamento? A resposta veio logo depois de Estreeter e seus 26 colegas receberem seus certificados, na Escola de Negócios do Sebrae São Paulo: representantes de três instituições financeiras detalharam as linhas de crédito disponíveis para microempreendedores individuais e microempresas e tiveram o cuidado de atender individualmente os refugiados interessados e já formados.

Formandos, coordenadores e professores celebram a formatura dos 27 refugiados em São Paulo. Foto: ©Sebrae Nacional

Formandos, coordenadores e professores celebram a formatura dos 27 refugiados em São Paulo. Foto: ©Sebrae Nacional

“Já marquei uma reunião no Banco do Povo para a semana que vem”, afirmou Estreeter, mais otimista, referindo-se à instituição do governo do Estado de São Paulo que provê crédito com taxa de juros baixa a refugiados reconhecidos no país. “O curso foi fantástico, e espero que venha a ser repetido para novas turmas de refugiados”, completou o colombiano de 39 anos que abandonou sua empresa exportadora de madeira em seu país por causa da violência e que está refugiado no Brasil, com sua família , desde 2013.

O projeto Refugiado Empreendedor, organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em parceria com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), recebeu o apoio da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Teve o objetivo de capacitar refugiados e solicitantes de refúgio para enfrentar os desafios burocráticos, administrativos e de mercado e para orientá-los sobre a abertura e gestão de suas próprias empresas no Brasil. O curso gratuito, iniciado em abril, foi desdobrado em duas partes.

A primeira etapa, com dois módulos, se deu entre abril e maio e envolveu 130 refugiados e solicitantes de refúgio. As aulas foram acompanhadas em três idiomas – português, francês e inglês – por meio do portal Ensino à Distância (EAD), do SEBRAE. A segunda fase foi presencial, encerrada no dia 9 ao final de 22 horas-aula, e envolveu um grupo mais restrito: puderam participar apenas refugiados reconhecidos, residentes há mais de um ano no país, com conhecimento de português básico, conclusão da primeira etapa e Cadastro de Pessoa Física (CPF), da Receita Federal do Brasil.

Para parte dos refugiados que vive em São Paulo, o emprego é uma necessidade temporária e válida apenas até que o plano de abrir seu próprio negócio se concretize. Mas muitos deles trazem em suas bagagens a experiência e a vocação empresarial, como no caso de Estreeter, ou simplesmente desejam edepender menos das oscilações do mercado de trabalho. Para eles, a adaptação de suas ideias às regras, costumes e ao ambiente de negócios do Brasil é fundamental.

Para a última aula e a entrega dos diplomas do “Refugiado Empreendedor”, o Sebrae ofereceu uma palestra de seu especialista em financiamento, Maurício Mezalira, além das apresentações da Caixa, da Movera e do Banco do Povo sobre suas linhas de crédito aos microempreendedores e empreendedores individuais. Mezalira ressaltou tópicos abordados durante o curso com maior firmeza, como a necessidade de planejamento detalhado do futuro negócio e a apresentação de um projeto realista para a instituição credora, com valor de financiamento adequado à capacidade de pagamento e à gestão da empresa. Nem um centavo a mais, nem um a menos.

“Crédito vem do verbo acreditar. Será liberado somente para alguém que apresente um projeto crível e claro e que tenha condições de assumir os riscos”, sublinhou Mezalira. “É preciso cumprir os rituais”, completou ele, referindo-se à necessidade de planejamento do negócio, de controle rigoroso do caixa da empresa e de conhecimento do mercado.

Cerca de 130 refugiados iniciaram essa segunda etapa do curso, em junho, mas somente 27 a concluíram. Para muitos refugiados, frequentar aulas presenciais noturnas e dispender recursos com o transporte foram fatores limitadores – além das próprias restrições originais. Segundo Nelson Hervey, gerente de Políticas Públicas e Relações Institucionais do Sebrae-SP, a casa vai acompanhar esse grupo de refugiados até o final do ano antes de lançar uma reedição do curso. Mezalira foi um dos profissionais do SEBRAE que se colocou à disposição para atender individualmente aos diplomados.

“Nós queremos prosseguir com a orientação a esses refugiados mais preparados agora para seus projetos de abertura de seus negócios”, afirmou Hervey.

As ideias de alguns refugiados foram, ao longo do curso, transformadas. Estreeter começou a primeira etapa, em maio, pensando em abrir uma empresa fabricante de móveis. Ele e sua mulher María, também diplomada no dia 9, haviam concluído cursos de tapeçaria e de marcenaria no SENAI (Serviço Nacional da Indústria). Nos últimos meses, enquanto sua mulher decidiu investir no nicho da produção de pufes de tecido, ele ingressou em um terceiro curso no SENAI, de produção de artigos de couro e pensa agora na fabricação de bolsas para os mercados interno e externo.

“Como tenho experiência em exportação e uma carteira de clientes interessados nos dois seguimentos no exterior, creio que teremos condições de levar adiante os dois projetos. Mas preciso comprar máquinas e, portanto, de financiamento”, concluiu.

Por Denise Chrispim, de São Paulo.

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